terça-feira, 26 de setembro de 2023

A Galinha dos Ovos de Ouro: significado da fábula

 

Desde os tempos mais longíquos, as fabulas carregam um imenso poder da verdade por baixo de sua fantasia. Por meio delas, enxergamos a nossa própria realidade, fazendo reflexões profundas a respeito de nossa natureza. Em específico, veja o significado da fábula A galinha dos ovos de ouro e o que ela pode dizer sobre nós.



A fábula

Em uma fazenda simplista, um fazendeiro fazia o seu trabalho como de costume. Ordenhou as vacas, fez algumas colheitas e cuidou de seu pequeno campo. Por fim, finalmente foi recolher os ovos na granja que mantinha na propriedade. Entretanto, o mesmo acabou sendo surpreendido: uma das galinhas colocou um ovo de ouro.

Assim que mostrou à sua esposa, correu até o mercado e conseguiu um bom dinheiro com a venda. No dia seguinte, verificou curioso seu galinheiro e novamente a galinha tinha colocado outro ovo de ouro. Dia após dia, as vendas dos ovos enriqueciam o casal que sempre queriam mais e não se contentavam.

Contudo, a dupla passou a acreditar que havia um tesouro dentro da ave que permitia fazer ovos de ouro. Querendo enriquecer mais rápido, ambos decidiram matá-la e abri-la para tirar a prova. Resultado: por dentro, a galinha era como qualquer outra.

Significado

A galinha dos ovos de ouro evoca à ganância constante que o ser humano pratica de forma insaciável. Hoje em dia especialmente, é bastante comum as pessoas procurarem muito além do que têm. Não porque elas precisam, nada disso, mas há uma vontade massacrante de ter mais. Simples: só querem mais e pronto.

Com isso, demonstram uma capacidade adoecida de avareza e ganância. Ainda que isso traga mais possibilidades em suas vidas, lutam a todo custo para não perder o que já têm. Dessa forma, evitam compartilhar, pois acreditam que ceder o que possuem é um gasto desnecessário. Se não for usado com eles mesmos, é visto como desperdício.

Infelizmente, ainda que não percebam de imediato, entram em uma espiral de frustrações e decepções imprevisíveis. Dificilmente conseguirão manter uma vida a dois ou progredir saudavelmente no trabalho. Basicamente, o seu meio de vida incompatibiliza com os demais, o que gera um afastamento generalizado. É uma condenação voluntária a uma vida de solidão.

Por que algumas pessoas agem de tal forma?

A galinha dos ovos de ouro mostra que, por trás de uma necessidade aparente, há uma fome de grandeza. Indivíduos cujo a vida parece limitada procuram a todo momento uma oportunidade de sair dela. Alguns de tanto tentar esquecem de sua moralidade e optam por meios escusos. Dessa forma, não ligam mais se ferem alguém ou não.

A ideia aqui é mudar as possibilidades atuais a um novo patamar com condições ainda melhores. Com um medo excessivo de retornar para a vida que levavam antes, os gananciosos acumulam e se mantêm nessa constante. Quanto mais fortuna conseguirem acumularem ao longo do tempo, melhor. Não importa como.

Note que podemos associar esse comportamento a um instinto de sobrevivência exageradamente egoísta. Podemos imaginar que os gananciosos tiveram algum contato com uma realidade mais difícil da qual vivem hoje. Com isso, na primeira oportunidade de crescimento, agarram e abusam como podem.

Empecilhos

Mesmo sendo uma fábula tão curta, A galinha dos ovos de ouro mostra aspectos bem negativos sobre nós. Assim, podemos imaginar como a nossa vida, à medida em que a fortuna cresce, pode se tornar difícil. Essa fome pelos prazeres do mundo pode acabar voltando para nós mesmos e nos engolindo. Em geral, os gananciosos enfrentam:

A solidão

Não há muito espaço para se construir relações saudáveis com as pessoas. A todo momento e em qualquer lugar, objetificam ganhos e valores, esquecendo o quanto é importante nos ligar aos demais. Consequentemente, seus entes próximos perdem importância e se afastam dele. O ganancioso se torna um exemplo ruim de má convivência.

Desconfiança

Imagine ter de lidar com alguém que só pensa em fazer ganhos e conquistas a todo momento? Obviamente, você terá medo de ser pego de surpresa e levar uma rasteira desse indivíduo. Certamente, não dá para confiar em uma pessoa que só pensa em si mesma. Qualquer projeto em conjunto é como pisar em uma fileira de ovos.

Falência emocional

Ao mesmo tempo em que enriquece abruptamente, seus sentimentos adoecem e acabam morrendo. Como não se dedica adequadamente às suas emoções, elas acabam entrando em colapso. Com isso, o seu lado emocional atrofia, reverberando em todos os aspectos de sua vida.

Lições

Como toda boa fábula, A galinha dos ovos de ouro nos inunda com preciosas lições sobre a vida. Não se trata de um moralismo ingênuo para colocar as crianças nas rédeas. Os adultos precisam trabalhar os seus próprios impulsos a fim de ter uma vida melhor e que valha a pena. Então comece por:

Valorizar suas conquistas

Pode parecer algo pouco o que tem agora, mas pense no esforço que fez para consegui-lo. Se você alcançou esse objeto empregando determinado esforço, imagine o que pode fazer se se empenhar mais? Com isso, valorize o que tem e tenha em mente que é um sinal do que obter mais à frente.

Evitar a cobiça a qualquer custo

Mesmo que deseje mais para si, evite ceder à cobiça e invejar o que os outros têm. Apenas cada um sabe do esforço que fez para conseguir o que tem e você precisa colocar isso em mente. Use os outros como inspiração, vendo quem eram e o lugar em que chegaram, mas jamais os inveje.

Resgate de valores

Por fim, A galinha dos ovos de ouro nos ensina o valor de possuir princípios. Com isso, cultivamos a paciência, o respeito ao outro e a humildade universal. Use isso ao seu favor a fim de evoluir constante e saudavelmente.

Comentários finais: A galinha dos ovos de ouro

A galinha dos ovos de ouro condensa um valioso ensinamento sobre um dos vícios mais perigosos da humanidade. A ganância tem justamente o efeito contrário do que propõe. Ao invés de nos fazer ganhar cada vez mais, acaba nos sugando e nos esvaziando até o fim.

Com isso, se atente à forma como anda agindo em sua vida nos últimos tempos. Pondere o peso de suas escolhas, como elas afetam a sua vida e a dos demais. Assim como o fazendeiro da história, você não quer perder tudo o que tem, certo?

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Fonte: https://www.psicanaliseclinica.com/a-galinha-dos-ovos-de-ouro/

sexta-feira, 12 de maio de 2023

IGPM - Se o indexador é negativo, pode haver redução no valor do aluguel na hora de se fazer o reajuste?

 

O IGPM e suas peripécias

Se o indexador é negativo, pode haver redução no valor do aluguel na hora de se fazer o reajuste? O presidente do Sistema Cofeci-Creci, João Teodoro fala sobre a questão e defende a lei da oferta e demanda!




[05/2023] O termo commodity ou commodities, no plural, do inglês, é frequentemente utilizado em pesquisas e análises do mercado financeiro, investimentos e inflação. Literalmente traduzida, a palavra significa mercadoria. Ou seja, um bem ou produto comercializável. Entretanto, economistas passaram a utilizá-la, sem tradução, para definir alguns tipos de produtos específicos, considerados básicos para determinadas indústrias ou atividades. São bens comercializáveis em bolsas de valores em todo o mundo. No Brasil, representam cerca de 65% das exportações.


A antiga lei de locações urbanas no Brasil - Lei 6.649/79 – como reflexo do período de governo militar autoritário, ostentava o grave defeito do protecionismo ao inquilino. O resultado foi o desaparecimento dos investimentos em imóveis para locação. Mesmo os imóveis disponíveis ficavam desocupados. Nenhum proprietário se dispunha a correr os riscos de alugá-los e ficar “nas mãos” dos locatários. Quando alguém se atrevia a alugar, os preços iam às alturas, para compensar os riscos. O Ministério Público, com base na lei, interferia em tudo.


Felizmente, a atual Lei 8.245/91, hoje com 32 anos, ainda que mantendo resquícios intervencionistas, restabeleceu a ordem, e o mercado voltou à normalidade. Porém, recentemente, em novembro de 2020, fomos surpreendidos com a superelevação do IGPM. Recorde de 30,8 % em

12 meses. A atual lei do inquilinato permite que os próprios contratantes estabeleçam como índice de correção o indexador que mais lhes convier. Assim, por mera convenção, a maioria dos contratos de alugueres tem escolhido o IGPM, em detrimento de qualquer outro.


Como já dissertei em artigo de novembro de 2020, o cálculo do IGPM leva em conta os preços no atacado, para produtos agropecuários e industriais, com peso ponderado de 60%. No varejo, o peso é de 30%. A construção civil pesa apenas 10%. Assim, o preço das commodities fez o IGPM “explodir” entre 2020/2021, prejudicando locatários cujos contratos eram nele baseados. Na ocasião, um deputado até propôs o projeto de lei 1.026/21, para limitar o reajuste de alugueres ao IPCA. Por questão de princípio, fui contra e recomendei a livre negociação.


Neste mês de abril de 2023, o IGPM fechou em (-) 0,95%. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice ficou negativo em (-) 2,17%. Pois bem! A dúvida na época do “estouro” era saber se compensava ou não brigar pela troca do indexador, inclusive aprovando nova lei nesse sentido. Sabíamos que não, porque o IGPM refluiria e poderia vir até a ser menor que o IPCA. Aí está! IGPM =

(-) 2,17%; IPCA = (+) 4,16%. Agora, a dúvida que aflora é a seguinte: se o indexador é negativo, pode haver redução no valor do aluguel na hora de se fazer o reajuste?


A resposta é NÃO! A fixação de valores locatícios não depende do índice de correção aplicável. O que conta é apenas a lei da oferta e demanda. Se há imóveis em abundância, os preços caem; em caso contrário, sobem. Entretanto, depois de fixado o valor, em qualquer circunstância, não há previsão contratual para redução do valor. Se o indexador for negativo, o valor permanecerá sem correção, salvo negociação em sentido contrário. Outros tipos de contratos, como planos de saúde, escolas, energia elétrica e seguros, seguem a mesma regra.



Sobre João Teodoro: Nascido na cidade de Sertanópolis, no Estado do Paraná, João Teodoro da Silva iniciou a carreira de corretor de imóveis em 1972. Ele é empresário no mercado da construção civil em Curitiba (PR). Graduado em Direito e Ciências Matemáticas, foi professor de Matemática, Física e Desenho na PUC/PR. É técnico em Edificações e em Processamento de Dados e possui diversos cursos de extensão universitária pela Fundação Getúlio Vargas. Foi presidente do Creci-PR por três mandatos consecutivos, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Paraná de 1984 a 1986 e diretor da Federação do Comércio do Paraná. No Cofeci, atua desde 1991, quando passou a exercer o cargo de conselheiro federal, e é presidente desde 2000.
Fonte: https://www.cofeci.gov.br/post/o-igpm-e-suas-perip%C3%A9cias

quinta-feira, 11 de maio de 2023

SISTEMA FINANCEIRO IMOBILIÁRIO

 

Além do Sistema Financeiro da Habitação e dos programas sociais, que outros sistemas financiam a compra de imóvel?


O Sistema Financeiro Imobiliário, o SFI.

O que é o SFI?

A base de funcionamento do SFI é também a captação e o repasse de recursos por agentes financeiros para quem precisa de crédito para a compra de imóvel. A diferença é a origem do dinheiro que, em vez de ser a caderneta de poupança, como no SFH, está ligada à emissão de títulos de crédito imobiliário. 



Qual sua importância?

Com a emissão e negociação dos títulos de base imobiliária, o SFI gera mais recursos para o mercado, seja para a construção de novas unidades, seja para o comprador final de imóvel.  Sem esses recursos, o dinheiro para o crédito imobiliário ficaria limitado à caderneta de poupança ou ao Fundo de Garantia. O SFI integra as operações do mercado imobiliário com o mercado de capitais. 

Como são as operações com esses títulos?

É um processo que compreende o setor imobiliário, com recursos e garantias que vão da etapa de construção à fase de financiamento. As securitizadoras emitem os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). Na prática, elas compram os créditos do setor imobiliário que servirão como lastro (garantia) para a emissão desses títulos. Um processo conhecido como securitização. Os principais títulos são os CRIs, as Cédulas de Crédito Imobiliário (CCIs) e as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), emitidas pelas Companhias Hipotecárias. 

Quais são as condições de financiamento pelo SFI?

O sistema não impõe limite ao valor do imóvel a ser comprado e à taxa de juros, que pode passar de 12% ao ano. O índice de reajuste e as condições de amortização da dívida também podem ser livremente acertados entre as partes. É obrigatória a contratação de seguro, como no SFH, de morte e invalidez permanente

 Fonte: https://www.abecip.org.br/credito-imobiliario/cartilha-do-credito-imobiliario

terça-feira, 14 de março de 2023

Cartílha do Crédito Imobiliário: COMO USAR O FUNDO DE GARANTIA

 

Que relação existe entre o Fundo de Garantia e a compra da casa própria?

O Fundo de Garantia é formado com o recolhimento feito a cada mês pelo patrão em uma conta em nome do empregado, a chamada conta vinculada. A contribuição equivale a 8% do salário e serve à formação de uma reserva destinada a dar segurança ao participante e sua família em casos de demissão sem justa causa, aposentadoria, morte ou invalidez permanente. Como a compra de moradia também tem esse aspecto de garantia, o dinheiro do Fundo foi liberado para pagar a casa própria.



Como o mutuário pode usar o dinheiro do Fundo de Garantia na compra da casa própria pelo SFH?

O comprador de imóvel pode usar os recursos de seu FGTS de várias formas: para pagamento da entrada, abatimento da prestação mensal, amortização do saldo devedor ou liquidação da dívida. 

É possível usar o dinheiro do FGTS para o pagamento à vista do imóvel?

Sim, desde que o saldo do Fundo ou complementado por uma reserva própria   seja suficiente para o pagamento do valor de uma só vez. Nesse caso, não haverá nenhum financiamento, apenas o repasse dos recursos do fundo, feito pelo banco, ao vendedor do imóvel.

Quais as principais condições para o uso do FGTS?

É preciso ser optante do Fundo de Garantia há pelo menos três anos e o imóvel deve ser para uso próprio, situado na cidade em que o comprador trabalha. A exceção a essa regra é quando se reside há mais de um ano no local onde se pretende comprar o imóvel. Outra condição para o uso do FGTS é que o comprador não seja proprietário imóvel na localidade, ainda que não seja financiado.

Como o dinheiro do Fundo é usado para pagar as prestações do financiamento do SFH?

É possível usar os recursos depositados no Fundo para pagar até 80% do valor da prestação. Cada resgate deve equivaler ao abatimento de 12 prestações, sendo que somente três delas podem estar em atraso.

E quais as condições para o pagamento do saldo devedor?

Para a liquidação do saldo, o mutuário não pode ter usado o dinheiro do Fundo nesse financiamento nos últimos dois anos, seja para reduzir a prestação ou o próprio saldo devedor. É possível usar também para a amortização da dívida, o que pode levar à redução do valor da prestação ou do número de prestações restantes.

Há outras exigências em relação ao imóvel para o uso do Fundo?

Sim, é preciso que ele seja urbano, destinado ao uso residencial e registrado no Cartório de Registro Imobiliário. O valor desse registro tem como limite R$ 750 mil no Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Nos demais Estados do País, o valor máximo do imóvel é R$ 650 mil. 

Quais as restrições para o uso do FGTS na compra do imóvel?

A utilização do FGTS é permitida apenas se o imóvel comprado com financiamento pelas condições do SFH for para a moradia do próprio mutuário. O uso do dinheiro do fundo é proibido se o imóvel for destinado à moradia de familiares, dependentes ou terceiros e, ainda, se comercial ou rural. É permitida a utilização do FGTS também para a compra de terreno.

O dinheiro do FGTS pode ser usado na compra de imóvel financiado por qualquer sistema?

Não. Somente quando os contratos forem assinados pelo Sistema Financeiro da Habitação ou concedidos por programas sociais destinados à moradia própria do trabalhador, dos governos municipal, estadual e federal. 

Quais são esses programas?

Minha Casa Minha Vida

Carta de Crédito Individual ou Associativo

Pró-Moradia

Apoio à Produção

O que eles apresentam em comum?

Todos são destinados aos compradores de baixa ou média renda.

O que é o Minha Casa, Minha Vida?

   O Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) criado em 2009 tem por objetivo subsidiar a aquisição da casa própria para famílias de baixa renda. Para participar do Programa, os interessados deverão estar enquadrados nas faixas de renda definidas pelo Governo Federal, desde que não possuam casa própria ou financiamento em qualquer unidade da federação, ou tenham sido beneficiados antes por outro subsídio de natureza habitacional do Governo Federal.  A seleção dos beneficiários é de responsabilidade das prefeituras. 

Há outras condições para o Minha Casa Minha Vida?

O comprador pode usar o dinheiro do Fundo de Garantia, o pagamento da entrada é facilitado com parcelas que vão caindo ao longo do tempo com isenção ou redução dos custos com seguro e despesas com cartório. Há cobertura de parte do pagamento das prestações em casos de desemprego, redução de renda, morte e invalidez permanente do mutuário. 

O que é a carta de crédito?

É outra modalidade de financiamento que, como o programa MCMV, oferece condições que facilitam a compra de imóvel ou terreno pelas famílias de baixa renda. O dinheiro para o crédito tem origem no FGTS. A carta pode ser concedida individualmente a um comprador – carta de crédito individual – ou a um grupo de pessoas, reunidas em um condomínio, cooperativa, sindicato etc. (associativo). O programa beneficia o comprador com renda mensal familiar de até R$ 4.300 ou, ainda, de até R$ 5.400, para quem mora em cidades com mais de 250 mil habitantes. O mutuário com renda até R$ 3.275 pode usar o FGTS para complementar o pagamento.

A quem é destinado o Pró-Moradia?

É a modalidade de crédito para a compra de moradia pela população em situação de vulnerabilidade social e com rendimento familiar mensal preponderante de até três salários mínimos.

 Fonte: https://www.abecip.org.br/