quarta-feira, 12 de novembro de 2025

O PAI PERDOA...

 

Escute, filho: enquanto falo isto, você está deitado, dormindo, uma mãozinha enfiada debaixo do seu rosto, os cachinhos louros molhados de suor grudados na fronte. Entrei sozinho e sorrateiramente no seu quarto. Há poucos minutos, enquanto eu estava sentado lendo meu jornal na biblioteca, fui assaltado por uma onda sufocante de remorso.



E, sentindo-me culpado, vim para ficar ao lado de sua cama.

Andei pensando em algumas coisas, filho: tenho sido intransigente com você. Na hora em que se trocava para ir à escola, ralhei com você por não enxugar direito o rosto com a toalha. Chamei-lhe a atenção por não ter limpado os sapatos. Gritei furioso com você por ter atirado alguns de seus pertences no chão.

Durante o café da manhã, também impliquei com algumas coisas.

Você derramou o café fora da xícara. Não mastigou a comida. Pôs o cotovelo sobre a mesa. Passou manteiga demais no pão. E quando começou a brincar e eu estava saindo para pegar o trem, você se virou, abanou a mão e disse: "Tchau, papai!" e, franzindo o cenho, em resposta lhe disse: "Endireite esses ombros!"

De tardezinha, tudo recomeçou. Voltei e, quando cheguei perto de casa, vi-o ajoelhado, jogando bolinha de gude. Suas meias estavam rasgadas. Humilhei-o diante de seus amiguinhos, fazendo-o entrar na minha frente. As meias são caras — se você as comprasse tomaria mais cuidado com elas! Imagine isso, filho, dito por um pai!

Mais tarde, quando eu lia na biblioteca, lembra-se de como me procurou, timidamente, uma espécie de mágoa impressa nos seus olhos?

Quando afastei meu olhar do jornal, irritado com a interrupção, você parou à porta: "O que é que você quer?", perguntei implacável. Você não disse nada, mas saiu correndo num ímpeto na minha direção, passou os braços em torno do meu pescoço e me beijou; seus braços foram se apertando com uma afeição pura que Deus fazia crescer em seu coração e que nenhuma indiferença conseguiria extirpar. A seguir retirou-se, subindo correndo os degraus da escada.

Bem, meu filho, não passou muito tempo e meus dedos se afrouxaram, o jornal escorregou por entre eles, e um medo terrível e nauseante tomou conta de mim. O que o hábito estava fazendo de mim?

O hábito de ficar achando erros, de fazer reprimendas — era dessa maneira que eu o vinha recompensando por ser uma criança. Não que não o amasse; o fato é que eu esperava demais da juventude. Eu o avaliava pelos padrões da minha própria vida.

E havia tanto de bom, de belo e de verdadeiro no seu caráter. Ser coraçãozinho era tão grande quanto o sol que subia por detrás das colinas. E isto eu percebi pelo seu gesto espontâneo de correr e dar-me um beijo de boa-noite. Nada mais me importa nesta noite, filho Entrei na penumbra do seu quarto e ajoelhei-me ao lado de sua cama. envergonhado! É uma expiação inútil; sei que, se você estivesse acordado, não compreenderia essas coisas. Mas amanhã eu serei um papai de verdade! Serei seu amigo, sofrerei quando você sofrer, rirei quando você rir. Morderei minha língua quando palavras impacientes quiserem sair pela minha boca. Eu irei dizer e repetir, como se fosse um ritual: "Ele é apenas um menino — um menininho!"

Receio que o tenha visto até aqui como um homem feito. Mas, olhando-o agora, filho, encolhido e amedrontado no seu ninho, certifico-me de que é um bebê. Ainda ontem esteve nos braços de sua mãe, a cabeça deitada no ombro dela. Exigi muito de você, exigi muito.

(W. Livingston Larned)

 

Vale a reflexão... você trabalha para viver, ou vive para trabalhar? Qual o principal motivo de você querer conquistar sempre mais? Tudo em nossa vida na quantidade certa se mantém o equilíbrio e tudo corre bem! Quando buscamos os extremos, as coisas tendem a não se manter bem, lembre-se o extremo de um abismo aumenta o risco de queda! 

domingo, 9 de novembro de 2025

Aprovada redução temporária da alíquota do ITBI em Pato Branco

 A Câmara de Vereadores de Pato Branco aprovou, em segunda votação, o Projeto de Lei Complementar nº 6/2025, de autoria do Executivo, que concede redução temporária da alíquota do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). A medida busca fortalecer o mercado imobiliário, incentivar a aquisição de imóveis e facilitar a regularização de transações pendentes.



Incentivo fiscal com benefício para contribuintes e município

Segundo o projeto, a redução temporária do ITBI oferece incentivo fiscal para pessoas interessadas na aquisição ou regularização de bens imóveis. Com a aprovação, contribuintes terão a oportunidade de regularizar transações de compra e venda, permuta e dação em pagamento que ainda não foram formalizadas em cartório ou junto ao cadastro oficial do município.

A expectativa da Prefeitura é que, em até 90 dias de vigência da nova lei, sejam regularizados aproximadamente R$ 6 milhões em transações imobiliárias.

O município também será beneficiado, arrecadando os valores devidos do imposto ao mesmo tempo em que reduz os gastos com execuções fiscais e processos administrativos.

Como funciona a redução temporária do ITBI

O novo incentivo fiscal terá início assim que a Lei Complementar entrar em vigor, com validade por até 90 dias. Neste período, todas as negociações que ainda não tenham sido formalizadas, mas estejam dentro do escopo da lei, podem aderir ao benefício, abrangendo transações feitas até a publicação da norma.

A redução se aplica a escrituras ainda não registradas em Tabelionatos de Notas, Registros de Imóveis e Cadastro Imobiliário e Fiscal do Município.

Fonte: https://diariodosudoeste.com.br/aprovada-reducao-temporaria-da-aliquota-do-itbi-em-pato-branco/

quinta-feira, 13 de março de 2025

Como as mudanças nas regras de financiamento devem afetar o mercado de imóveis em 2025

 

Na esteira das mudanças recentes no financiamento imobiliário, promovidas pela Caixa Econômica Federal, o acesso ao crédito para aquisição de imóveis tende a ficar mais restrito em 2025. O banco público aumentou o valor da entrada e diminuiu o total financiado para compra de unidades via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). 



Diante dessa alteração, que também afeta as transações em bancos privados, o crédito ficará mais seletivo no próximo ano, segundo especialistas e integrantes do setor. 

Essas movimentações, que ocorrem para tentar dar fôlego aos fundos usados pelo sistema financeiro, também devem impactar a venda e as avaliações de compradores nos próximos meses. 

Na prática, a Caixa endureceu as regras para tentar manter os valores de concessão de crédito habitacional dentro do orçamento aprovado para 2024 (veja as novas regras abaixo). Esse problema de financiamento, com demanda acima do fundo existente, também afeta bancos do varejo. Ou seja, o apetite por esses recursos está acima do montante disponível. No caso do SBPE, o cenário é ainda mais complexo com a fuga de valores da poupança diante de Selic em alta. 

Para ter uma ideia, os valores dos financiamentos via SBPE saltaram de R$ 7,7 bilhões, em 2023, para R$ 8,3 bilhões em 2024, levando em conta o recorte do ano até novembro (veja no gráfico). No país, o aumento foi ainda maior, passando de R$ 137,4 bilhões para R$ 169 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

O presidente da Abecip, Sandro Gamba, afirma que existem dois movimentos que restringem o acesso ao crédito a partir desse problema de fundo. O primeiro ocorre via o aumento no valor da entrada e diminuição do montante financiado, promovido pela Caixa. Na outra ponta, instituições financeiras privadas estão optando por não alterar os critérios de elegibilidade, mas compensando isso com o aumento de juro dos financiamentos, segundo Gamba: 

— Uns estão optando por mudar, alterar as regras e outros estão tomando a decisão de aumentar a taxa de juros. Aí são as decisões de cada agente financeiro. Mas, no final, você está restringindo e reduzindo a distribuição do crédito imobiliário, fazendo com que a conversão de quem vai adquirir o financiamento se torne mais difícil.

Marco Aurélio Stumpf Gonzalez, professor dos cursos de Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo na Unisinos, pesquisador e especialista em mercado imobiliário, não crê em grandes alterações no mercado de compra e venda de imóveis. No entanto, afirma que essas mudanças na concessão de crédito imobiliário força alguns cidadãos a optarem por financiamentos mais caros e mais longos. Isso ocorre porque nem todos têm condições de dar uma entrada maior, conforme novo modelo da Caixa, por mais que o juro seja mais baixo: 

— Se a pessoa não consegue se enquadrar naquela situação, não tem a entrada necessária, vai ter a opção de pagar um juro maior, que é uma questão de longo prazo. Tu resolve no curto prazo, se não tem dinheiro, mas paga mais caro. 

O professor destaca que esse ambiente, com parcela da população fora do grupo com potencial de compra de imóvel, também pode gerar impacto de maior demanda no lado do aluguel. 

Impacto nas vendas

Com crédito mais restrito, uma parcela de potenciais compradores de imóveis saiu do mercado. Portanto, o volume de pessoas em busca de financiamento tende a diminuir. Nesse sentido, com oferta grande de unidades à venda, a relação entre compra e venda pode sofrer alterações, segundo especialistas: 

— Eu acho mais provável que o vendedor se ajuste ao mercado. Se eu não consigo negociar por esse preço, porque a pessoa não tem a entrada suficiente, eu tenho que baixar o valor — observa Gonzalez. 

O presidente da Abecip afirma que o poder de barganha de quem tem crédito e se encaixa nas novas condições de financiamento aumenta nesse ambiente mais restritivo: 

— Na maior parte do mercado, o volume comercializado de imóveis está atrelado ao financiamento. Quando você restringe o crédito, com certeza a tendência é de redução do volume de vendas. Reduzindo o volume de vendas, quem for fazer a tomada de decisão, quem conseguir ter crédito e puder viabilizar a compra do imóvel vai ter um poder de barganha, um poder de negociação, já que o mercado estará mais restrito.

Construção civil

Marco Aurélio Stumpf Gonzalez afirma que esse ambiente de crédito embaraçado pelo juro alto no país também afeta o ramo de construção e incorporação: 

— Para construir, tu precisas ter dinheiro. E para ter dinheiro tu precisas vender. Tem investidores, claro, mas precisa vender. E nessa venda com taxa de juros mais alta sobra menos dinheiro pra empresa. 

O presidente da Abecip afirma que eventual mudança no ritmo de demanda por crédito imobiliário também deve respingar no âmbito da construção em razão de alterações na velocidade de vendas. No entanto, no âmbito das unidades em fase de construção, esse impacto deve ocorrer em período mais alongado: 

— Com uma restrição, com custo de crédito imobiliário mais alto, você vai diminuir o volume de transação. Com isso, você reduz a velocidade de venda dos imóveis. Aí cabe ao incorporador, quem participa desse mercado avaliar as condições. Evidentemente, o impacto maior é no mercado secundário, que é o de imóveis prontos, e menor no de imóveis novos.

A mudança

Na nova regra da Caixa, quem financiar imóvel pelo sistema de amortização constante (SAC), modelo no qual a prestação cai ao longo do tempo, a entrada subiu de 20% para 30% do valor do imóvel. Já no sistema Price, que conta com parcelas fixas, a quantia mudou de 30% para 50% (veja detalhes abaixo).

As alterações promovidas pela Caixa valem para financiamentos a partir da mudança na regra e não afetarão as unidades habitacionais de empreendimentos financiados pelo banco. Nessa situação, em que a Caixa financia diretamente a construção, as condições atuais serão mantidas, segundo a instituição.


Novas regras valem para a concessão de crédito pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que usa recursos da caderneta de poupança



OBS: as alterações promovidas pela Caixa valem para financiamentos a partir da mudança na regra e não afetarão as unidades habitacionais de empreendimentos financiados pelo banco. Nessa situação, em que a Caixa financia diretamente a construção, as condições atuais serão mantidas, segundo a instituição.


Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/noticia/2024/12/como-as-mudancas-nas-regras-de-financiamento-devem-afetar-o-mercado-de-imoveis-em-2025-cm56rmq6t008g016kimom8dgy.html